Diferente dos tumores que acomentem adultos, os tumores que surgem na infância seguem outra dinâmica, muito mais intrínseca ao organismo daquela criança ou adolescente. Câncer infantil corresponde a um grupo de doenças cujo ponto em comum é a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo, descreve o oncologista pediátrico Wellington Mendes, do Departamento de Pediatria do Centro de Tratamento e Pesquisa do Hospital do Câncer e do Conselho Científico da AB Câncer, de São Paulo. “Ainda são desconhecidas as causas da alteração genética que leva ao tumor na infância e na adolescência. O traço hereditário pode estar presente ou não. No retinoblastoma (tumor da retina), por exemplo, a alteração vem do pai e da mãe juntos.”
Os clássicos fatores associados ao maior risco de desenvolvimento de um câncer – tabagismo, alcoolismo, má alimentação, sedentarismo, exposição ao sol em excesso, entre outros – são válidos para maiores de 20 anos. Logo, prevenção é um desafio. A ênfase atual deve ser dada ao diagnóstico precoce e tratamento de qualidade.
Por outro lado, cada vez mais estudos têm demonstrado que o fator ambiental pode estar inserido no risco para câncer ainda na fase intra-uterina. O consumo de alguns medicamentos como antibióticos, o tipo de alimentação ou o vício de fumar do pai e/ou da mãe, podem gerar um defeito no genes do feto.
Do ponto de vista clínico, os tumores pediátricos apresentam menor período de latência, crescem rapidamente e são mais invasivos. A parte boa é que respondem melhor ao tratamento e são considerados de bom prognóstico. A melhor resposta aos métodos terapêuticos deve-se ao fato de que os tumores infanto-juvenis têm raiz embrionária e se constituem de células indiferenciadas.
Os locais mais comuns de aparecimento do câncer na infância são nas células sanguíneas, gânglios linfáticos, rins, abdome, retina e ossos. De acordo com o relatório do Inca, a leucemia é o tipo mais frequente, dentre essas, a Leucemia Linfóide Aguda (LLA) é de maior ocorrência em crianças na maioria das populações do mundo, com exceção do Japão, China e Zimbábue – onde a Leucemia Mielóide Aguda (LMA) é a mais frequente.
Entre os linfomas, o mais incidente na infância é o linfoma não Hodgkin. Os tumores do sistema nervoso, que predominam no sexo masculino, ocorrem principalmente em menores de 15 anos, com um pico na idade de 10 anos, e representam cerca de 20% dos tumores infantis. Os tumores ósseos atingem mais os adolescentes e o retinoblastoma é responsável por cerca de 2% dos tumores infantis.
A sobrevida média cumulativa em cinco anos (do câncer infantil em geral) é considerada razoavelmente boa nos EUA, onde a taxa chega a 77%. Na Europa, a sobrevida observada é semelhante a dos EUA, variando de 77% (no norte europeu) a 62% (no leste). O câncer pediátrico representa entre 0,5% e 3% de todas as neoplasias na maioria das populações. Em geral, a incidência total de tumores malignos infantis é maior no sexo masculino.
Fonte: Revista ABC Câncer










